terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Série: Sex Education

Olá amores,

Vamos falar de outra série que está dando o que falar? "Sex Education" é uma produção original Netflix que veio para surpreender, já que eu não estava dando nada para esse lançamento, mas acabei viciada e terminando a série em menos de dois dias, rs.


Para quem ainda não conhece, a série retrata a vida de Otis, um adolescente filho de uma terapeuta sexual que é excluído na escola. Só que após ser visto por Maeve dando conselhos sexuais ao grandalhão da turma, ambos se unem para criar um grupo terapêutico sexual para os colegas.


A temática para alguns pode ser tabu e as piadas bem explícitas, porém devemos levar em consideração que "Sex Education" desmistifica o sexo e os problemas dos adolescentes (e não apenas como relações interpessoais, mas como indivíduos: únicos e com desejos). É realmente como uma educação sexual, coisa que muitos jovens não tem acesso pelos pré-conceitos e pelas limitações sociais e familiares. Alguns dos temas são dificilmente esclarecidos em nosso dia a dia, ou não com a naturalidade em que deveriam ser. Quer exemplos? Doenças sexualmente transmissíveis, masturbação, gravidez, drogas, feminismo, sororidade, homossexualidade e principalmente, o auto conhecimento são os principais focos do enredo.

Os episódios possuem cerca de 50 minutos cada, só que você nem percebe o tempo passar. De início, alguns podem achar besteirol ou até mesmo apelativo, mas quando os personagens são aprofundados percebemos o quão relevante tudo pode ser e os episódios se tornam mais pesados, fazendo você se emocionar muitas vezes. 

Meu personagem preferido é o Eric e eu duvido você não se apaixonar por ele também. Sendo o melhor amigo do protagonista, Eric é um homossexual assumido e é ele quem levanta a bandeira do bullying nessa série (juntamente com Maeve, porém acho que por Eric apanhar na escola, o caso dele fica mais explícito, enquanto Maeve aborda mais o machismo e a falta de suporte familiar). Usando roupas bem coloridas e tentando ver o lado positivo de tudo, Eric alegra a série e traz momento de descontração. Sua amizade com Otis é outro ponto que preciso destacar, pois é algo que mexeu bastante comigo, já que Otis pode até fazer algumas besteiras às vezes, mas a amizade é completamente sincera. Sabe como eu sei disso? Otis é heterossexual mas em momento algum a homossexualidade de Eric o afeta. Pelo melhor amigo, Otis se veste de mulher sim, ele dança, ele abraça. Não existe aquela frescura de que héteros não se misturam porque podem duvidar da sua 'masculinidade', sabe? Foi sensacional ver os amigos curtindo a vida e se divertindo independente do que os outros fossem pensar. Aliás, o mais legal é que ninguém os condena por isso, tudo se torna natural! Vai me dizer que você não gostaria de viver em um mundo assim?


Maeve é outra personagem que gosto muito por ela trazer momentos maiores de reflexão quando expõe sua família e seus problemas. Vítima do machismo clássico, a garota se torna apenas uma referência sexual para os colegas de escola. E o pior de tudo é que ninguém tem a consciência do quanto esterótipos podem machucá-la. Porém, Maeve cresce e mostra ao telespectador que pode ser mais do que dizem dela. Maeve é inteligente, é esforçada, é bonita. Ela é a responsável pelo primeiro tapa na cara que a série te dá. E acho que é nesse momento que eu vou abrir um parênteses para dar um spoiler relevante: a decisão de Maeve abortar e o procedimento em si ser tão rápido pode chocar quem assiste. Percebi isso porque minha mãe teve uma reação meio 'negativa' na hora, porém ao analisarmos todo o contexto de vida da garota e o que aquilo significaria, entendemos e respeitamos a sua decisão. Eu, Alessandra, não faria um aborto, mas entendo e respeito a decisão de Maeve e acho que foi coerente para a personagem. Ela não conseguiria dar a criança uma vida digna, se é que a gravidez ia ser levada adiante porque nem uma alimentação adequada e acompanhamento pré-natal seria possível. Mas, claro que outras pessoas teriam opiniões diferentes e isso geraria repulsa. Desta forma, já adianto: mais um tema tabu colocado de uma maneira corajosa aqui. 


Essa balança de julgamentos também influencia no quanto você se envolve com a série, porque cada um sempre tem uma opinião sobre a vida do outro e nem sempre essa opinião deve ser tomada como a verdade.  

O final da série é tão rápido que deixa a saudade em nossos corações. Ainda sem confirmação de segunda temporada, torço para que a Netflix perceba o que tem em mãos e não faça besteira de cancelar sem o final que eu tanto espero, rs. 


Sendo assim, finalizo dizendo que "Sex Education" é uma série ousada e única, necessária para os jovens de hoje perceberem que não estão sozinhos e que pode haver uma luz no final do túnel para eles. Tenho consciência de que não é uma série para todo mundo, principalmente se você é conservador, porém é cheia de esclarecimentos, mensagens de auto estima e que você pode ser aquilo que você é porque quem é seu amigo, vai te aceitar de qualquer maneira ♥

Minha Classificação: ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ (5/5) - Maravilhosa!

- Alessandra Salvia

domingo, 27 de janeiro de 2019

Livro: O Jardim Secreto

Olá amores!


Nesse ano de 2019, vou trazer a vocês uma coluna especial de clássicos. Todos os meses vamos falar sobre um livro considerado atemporal pela crítica e em janeiro, o escolhido é "O Jardim Secreto" de 1911 da autora inglesa Frances Hodgson Burnett (1849 - 1924, também autora de "A Princesinha"). Minha versão é a publicada recentemente pela Editora Martin Claret e adquira na Feira do Livro da USP de 2018.


Para quem está na dúvida, já vou logo explicando que esse livro é sim a obra que deu origem ao filme homônimo lançado em 1993. Na sua história, conheceremos a pequena Mary Lennox, uma menina de 10 anos que morava na Índia e foi criada por uma aia. Após a morte dos pais e dos serviçais da casa, a garotinha se muda para a Inglaterra para morar com o tio amargurado e recluso


Mary muitas vezes é descrita como mandona e magricela, cabelos ralos e pálida. E tudo isso se deve a sua antiga vida. Não a considero uma personagem chata, ela apenas cresceu achando que aquela realidade era única. Uma criança que não sabia o que era o amor, a amizade, o fato de ser cuidada. Quando Martha, uma das empregadas da casa nova, se torna sua amiga e começa a contar histórias de sua família e Dickon com os animais, Mary passa a ver tudo de uma maneira diferente e apenas assim, começa a evoluir (e ganhar peso para ser saudável).

A relação de Mary com Dickon é bem bonitinha. Ele lhe mostra a beleza da natureza, lhe ensina a cuidar de jardins e de animais. Quando Mary descobre a existência do jardim secreto de sua tia falecida, é preciso guardar segredo do mesmo, mas é para Dickon quem ela recorre e fica satisfeita ao ver que (finalmente) encontrou um amigo de verdade.

Há também a presença do primo de Mary, Colin. Ele é um garoto recluso, que acredita ser doente e que irá morrer em breve. E já adianto que o livro não ganha nota máxima por conta da presença irritante de Colin. Enquanto temos apenas Mary e Dickon como foco, tudo é agradável, delicado. Colin e seus ataques de fúria desgastam um pouco o leitor, porque demora muito para ele entender o quanto é mimado (além de se fazer de vítima o tempo todo). Mary ainda dá uns chacoalhões no primo, o que me fazia sorrir. Porém, fiquei bem decepcionada quando Dickon é deixado de lado para Colin ganhar espaço. Até mesmo o final, achei que faltou algo mais para o garoto pobre que tanto ajudou Mary. 


Para muitos, o enredo pode parecer infantil ou fraco. Eu discordo. "O Jardim Secreto" traz algumas reflexões que talvez as crianças não enxerguem. Digo isso, principalmente por Mary que passa por situações complexas quando criança e se pararmos para pensar, poderia ser muito traumatizante uma garotinha simplesmente ficar sozinha no mundo. Os pais, mesmo saudáveis, nunca se importaram com ela. A cena em que ela vê todos doentes e sua grande casa vazia, é algo bem sensível. 

Agora, em relação a edição consigo dizer apenas uma palavra: impecável. Escolhi a versão da Martin Claret, pois sempre me dou melhor com suas traduções. A leitura é fluída e a tradução se aproxima muito da nossa realidade. Neste livro, por exemplo, temos uma linguagem mais 'campestre', o você virou ocê, está virou tá... Admiro muito a tradutora Vera Lúcia Ramos, pois sei o quanto deve ter sido difícil trazer a obra do jeitinho maravilhoso que está. 


A capa é vazada e há algumas ilustrações na obra. No início, antes de começarmos efetivamente a leitura, há alguns textos de apoio com analises importantes para quem vai começar a ler. Achei muito interessante as analogias que fizeram com os jardins por toda a sociedade e literatura. Há também uma análise sobre os motivos pelos quais o jardim é secreto na obra e uma nota da autora bem explicativa. Fiquei encantada!

Desta forma, espero que vocês tenham conseguido captar um pouco da minha animação com "O Jardim Secreto"! E não deixem de me contar se já leram ou gostariam de ler a obra, hein?

Minha Classificação: ♥ ♥ ♥ ♥ (4/5) - Muito bom!

- Alessandra Salvia

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Texto: Continue Caminhando

Olá amores,

Semana passada eu postei aqui o Words Challenge e muitas pessoas pediram a continuação, então eis  aqui o meu presente a vocês, mas vale dizer que também pode ser lido de forma independente. Espero que gostem, não sei se era o esperado, mas acho que os personagens deveriam seguir o caminho certo, não o mais fácil. Não esqueçam de compartilhar suas opiniões! *-*


"Por que tudo precisa ser problematizado? Por que é difícil entender que toda história tem dois lados? Por que as pessoas simplesmente não param de fazer julgamentos precipitados e simplesmente me deixam viver em paz?

Decidi colocar um fim no meu relacionamento de tantos anos, mas não na sociedade dos negócios. Finalmente decidi o que eu queria. E por incrível que pareça, meu ex aceitou tudo tranquila e respeitosamente. Acredito que pela primeira vez em três meses não gritamos um com o outro. Engraçado, não é mesmo? 

As pessoas no facebook especulam que houve traição, no instagram dizem que eu vou ficar sozinha só porque "passei da idade de ter filhos". Cada um tem uma opinião diferente e nenhuma me ajudava a sair da cama todas as manhãs. Confesso que de certa forma deixei isso me atingir e vi coisas onde elas não existiam. Acho que foi difícil entender que mudar faz parte da vida, seja em uma relação, seja em um pensamento ou uma atitude. E essas mudanças não devem ser consideradas negativas, como a maioria está disposta a apontar. Hoje, posso dizer que nunca estive tão feliz.

Não nego que assinar os papéis do divórcio foi difícil. Vi nos olhos que tanto me amaram a angustia do desconhecido, mas mesmo assim ele sorriu para mim, de maneira orgulhosa pela decisão que tomamos: enfrentar os obstáculos de frente. Aceitamos que nós dois 'desaprendemos' a conviver com outras pessoas depois de tantas acusações e amarguras, só que isso não quer dizer que seja para sempre. Isso quer dizer que estamos vivos, que temos tempo, que temos saúde para recomeçar, buscar aquilo que nos faz sorrir.

Hoje, pego um avião rumo ao desconhecido apenas com uma mochila nas costas. Se você me falasse isso há dois anos atrás, eu te chamaria de maluco! Onde já se viu, uma mulher responsável, classe média alta que só anda com salto 15 colocar um tênis, prender os cabelos num coque frouxo e viajar sem hotel reservado? É... Essa sou eu. A nova eu. E estou bem com isso."



- Alessandra Salvia

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Livro: Tudo Aquilo Que Nos Separa

Olá amores,

A dica de leitura de hoje é de um livro que teve bastante destaque no ano passado: "Tudo Aquilo Que Nos Separa" escrito pela Rosie Walsh e publicado pela Editora Record.


Nesse livro, conheceremos a história de amor de Sarah e Eddie, um casal a beira dos 40 anos que se conhecem e em 7 dias vivem um tórrido romance. O grande problema é que Eddie desaparece e Sarah suspeita que algo realmente grave aconteceu com ele, afinal, ela não poderia ter se enganado. O sentimento foi puro, verdadeiro e mútuo. Ou não foi?

Comecei a ler esse livro e tive um sentimento meio estranho. A linha temporal é desconstruída e o vai e volta no tempo me parecia um pouco confuso, já que eu não estava apegada ao casal e Eddie parecia apenas um cara idiota que deu um perdido na ficante. Porém, conforme encontrei o ritmo de leitura, entrei na história e comecei a me apegar aos personagens. Senti que talvez, eu estivesse errada e algo realmente ruim pudesse ter acontecido. Ainda acho confuso a questão de divisão de narrativas, mas entendi a proposta da autora e para ser sincera, ao chegar no final até admiro a forma como Rosie construiu o livro, pois assim, eu consegui ver outras perspectivas e tive mais teorias sobre o mistério.

E é exatamente por esse início mais lento e às vezes, repetitivo que o livro não ganha 5 estrelinhas, porque depois... MEUS AMORES... É aquele tipo de leitura interrupta, que você só precisa saber da verdade para tudo ficar bem, só que aí a verdade vem e o coração se enche de dor e você lê mais e mais e acaba. Não, isso não é algo ruim. É aquela leitura viciante, que te derruba, sabe? E não apenas pela intensidade da história, mas por sua beleza.


"Tudo Aquilo Que Nos Separa" é mais que uma linda história de amor, também tem mistério, tem perdão, tem família, tem sentimentos. Um doce e amargo romance sobre a vida e como ela pode ser contraditória. Às vezes, aquilo que mais te traz dor também pode ser o que te faz feliz. Você estaria disposto a arriscar? 

Terminei a obra com aquele sensação de paz no coração. Como se todo o tempo em que tivesse me dedicado àqueles personagens tivesse valido a pena, pois me tornei alguém melhor e com a fé no ser humano renovada. Super recomendo a obra e acho de verdade que é um livro para se ler e sentir!

Minha Classificação: ♥ ♥ ♥ ♥ (4/5) - Muito bom!

- Alessandra Salvia

domingo, 20 de janeiro de 2019

Livro: Não Confie em Ninguém

Olá amores,

Como eu disse para vocês, estou bem empolgada com algumas leituras de thrillers que venho fazendo este mês e como escolha da semana, vamos falar sobre "Não Confie em Ninguém" do Charlie Donlea publicado pela Faro Editorial?


Nesse livro, veremos Sidney Ryan desvendar o caso de Grace Sebold num documentário em tempo real. Grace foi acusada de assassinar o namorado em uma viagem familiar e após 10 anos de prisão, vê a oportunidade de esclarecer todo o crime em rede nacional com a ajuda de Sidney. Porém, será que a acusada é tão inocente quanto diz ser? Após uma carta, a jornalista começa a duvidar dos acontecimentos passados.

Primeiramente, quero dizer que peguei esse livro por indicação da Nana do Canto Cultzineo, então já tinha uma ideia de que o final não fosse ser algo cheio de florzinhas e amor, como eu geralmente estou acostumada, só que (felizmente) eu não esperava gostar taaaaanto assim da obra como um todo, incluindo o final. Tanto que se tivessem mais capítulos, eu leria facilmente! Até ouso dizer que meus olhos até ficaram um pouco marejados na cena do uísque Johnnie Walker, porque foi um turbilhão de emoções!

O livro é uma delícia de se ler, porque por mais que possua uma temática pesada e cheia de detalhes, a narrativa (em terceira pessoa) é fluída demaaaais, os capítulos são ágeis, sem enrolação! Fui surpreendida pela escrita do Charlie, pois esperava algo mais denso. E na verdade, muito pelo contrário, os fatos e as provas do crime são facilmente discorridas e o leitor imerge na leitura rapidamente. O enredo não te trata como burro e tem explicações sensacionais, cheia de termos específicos e com coerência. 



Com uma dinâmica muito boa e personagens inteligentes, o leitor é pego pelo emocional e a dúvida de quem realmente cometeu o crime é presente em quase toda a obra, confesso que não acertei o final e isso ganhou ainda mais pontos comigo. 

Não é um simples thriller, sabe? O mistério está presente juntamente com as relações interpessoais e ficamos pensando em cada detalhe, em cada situação. Vemos o quanto Grace está a margem da sociedade, porém com pessoas que realmente a amam lutando para inocentá-la e eu me pego pensando... O que eu faria? Em quem eu acredito? 

Fazendo uma observação para quem já leu, mas não é spoiler: confesso que senti falta de uma explicação para a falta de câmeras de segurança no hotel em que o crime aconteceu, pois existe a informação de que Daniel foi visitar Grace no chalé e foi visto através dessas câmeras, mas ok. Nada muito gritante, pois o crime ocorreu num penhasco. 



A edição da Faro Editorial está simplesmente MARAVILHOSA. O destaque aqui é para além da capa e contra-capa, eu falo da impressão da obra mesmo. O papel é de qualidade, o tamanho da fonte super confortável, tem artes muito interessantes do decorrer do livro... Fiquei encantada com o trabalho. Vale a pena investir um pouco mais em edições assim.

Acredito que sair da zona de conforto fez total diferença e super recomendo "Não Confie em Ninguém", uma obra completa, com tudo aquilo que o leitor precisa: um texto envolvente, inteligente e cheio de detalhes para deixar a cabeça louca atrás de respostas. 

Minha Classificação: ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ (5/5) - Maravilhoso!

- Alessandra Salvia

P.S.: Charlie Donlea, o senhor é MUITO inteligente. Sério. Parabéns!



sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Words Challenge 2019 - Capricórnio

Olá amores!

Vamos começar o Words Challenge 2019? Hoje, nossa personagem principal é uma capricorniana que possui características como: responsável, trabalhadora, ambiciosa, madura e prática. As palavras escolhidas foram as seguintes: pássaro, prioridade, crise, joelho, lar, conforto, luz e presente. Ah, e não deixem de conferir o texto da Pam do Interrupted Dreamer também!!!


Words Challenge 2019 - Capricórnio

Os pássaros voam sob o céu azul e eu tomo um gole do meu suco de laranja. As férias de verão estão prestes a terminar e eu já não sei mais o que posso fazer para mudar de vida. Sei que sou teimosa e uma workaholic, não posso negar. Ficar aqui parada, torrando no sol e esperando uma solução cair do céu não faz muito meu perfil.

Respiro fundo e pego meu notebook que estava na bolsa abaixo da cadeira. Em momentos de crise meu cérebro funciona em modo avião, mas isso precisa mudar. Preciso de um planejamento e paciência, preciso respirar e colocar minha vida em ordem. Ligo a tela e uma foto nossa se abre instantaneamente. Droga. Como eu faço para alterar isso?

Desde quando tudo aconteceu, eu não havia ligado o computador. Decidi que precisava me colocar como prioridade e se isso foi algo egoísta, assumo que foi uma decisão totalmente consciente. Trabalhamos juntos por anos até que o casamento acabou e por consequência a sociedade nos negócios também. 

Bom, sendo completamente honesta, meu ex ainda não sabe dessa segunda parte. Será uma surpresa. Um presente pelo seu aniversário que se aproxima, mas o que ele esperava? Que eu ficasse esperando a falência financeira também acontecer? Não. Vou tomar essa atitude. Antes de arriscar todo meu dinheiro nesse negócio, eu analisei o risco, sempre tive consciência das perdas. Meu ex me chamava de pessimista e eu dizia apenas: "não meu bem, sou realista". 

A campainha toca e eu tomo um susto. Levanto depressa e bato o joelho na mesa lateral. Xingando, vou de biquíni mesmo atender a porta. 

- Podemos conversar? - Aqueles olhos esverdeados estão sob os óculos escuros de uma marca cara. Ótimo, eles não tem poder sobre mim se estiverem tampados.
- O que você quer? - sou fria, sinto o rancor em meu tom de voz. 
- Precisamos decidir o que fazer com a empresa - ele entra em meu apartamento como se ele fosse o dono. Aquilo me irrita mais do que o esperado.
- Você sabe que essa casa é minha e você só pode entrar se for convidado?
- Ah, qual é, querida! Ambos sabemos que esse apartamento é nosso. Não me venha com esse papo furado.
- Papo furado? Você nunca passou mais do que 3 dias seguidos aqui. Eu chamo isso de lar enquanto você chama de hotel de luxo!
- Do que está falando? Está louca? Só porque eu trabalho mais horas do que você não significa que não goste desse lugar.

Nesse momento, aquela raiva que estava segurando exala de mim. É como se uma luz muito intensa estivesse saindo do meu peito. Eu precisava iluminar todos a minha volta. Principalmente o idiota do meu ex.

- Você é um babaca! Para de se achar melhor do que as outras pessoas. Pare de achar que você é o centro do universo. Ai meu Deus, porque uma capricorniana como eu foi casar justamente com o leonino, me diz!!!!
- Não me venha você, aos 30 anos de idade dizer que acredita nessa babaquice de signos, hein?
- Ora, qual é o problema? - Olho aturdida para ele.
- O problema é que esse casamento funcionou por anos. ANOS. E não é porque mudamos é que você precisa culpar o signo. Nós simplesmente evoluímos e não nos completamos mais. Simples.
- Evoluímos? Espere. Isso está sendo complicado demais para minha cabeça. Você. O idiota que me deu o pé na bunda para ficar com outra garota mais nova. Acha. Que por um mísero segundo. Possa ter evoluído é demais para mim.
- E lá vamos nós para a mesma discussão de sempre... Eu não te troquei por ninguém, por que você cisma que eu te troquei?
- Eu vi! Eu vi você se afastar de mim durante os últimos meses. Eu perdi todo o conforto que tinha em nossa relação. Me tornei insegura e fria. 
- Ah, isso você sempre foi, querida. Nos afastamos porque deixamos acontecer. Mas não pense que te traí. E se eu me afastei, penso por que você não me procurou?
- Por que... Por que... 
- Vamos diga!

Faço uma pequena reflexão sobre os meus últimos meses. Naquele dia em que ele faltou ao nosso jantar, o que eu fiz? Fiquei com o telefone da mão, na dúvida se devia ou não ligar para ele. Não liguei. No dia em que ele chegou atrasado a reunião que tínhamos marcado com um cliente, eu nem olhei para sua blusa suada e manchada de graxa. No dia em que ele teve que viajar para pegar um material com nosso fornecedor, eu nem sabia qual o horário do voo. 

- Desculpe. - digo simplesmente. E é por essa que ele não esperava. Os óculos escuros são retirados e eu me derreto.
- Está desculpada. - Simples assim? Era isso o que ele queria?
- Olha... Nós... - tento falar, mas ele me interrompe.
- Não. Não vamos falar nada agora. Quero que pense. O que você quer fazer com o apartamento? O que você quer fazer com a empresa? O que você quer fazer com o nosso casamento? Eu já tenho as minhas respostas, mas você precisa das suas. 

Ele sai tão rapidamente quanto entrou. Eu suspiro e me jogo no sofá de couro branco. Fico por uns 10 minutos sem me mexer e então, sussurro para o nada:

- Eu quero recomeçar.


- Alessandra Salvia

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Uma Amiga Indicou: You

Olá amores,

Como tinha dito a vocês, a coluna "Uma Amiga Indicou" formada pelos blogs: "Estante da Ale", 'A Colecionadora de Histórias', 'Infinitas Vidas', 'Caverna Literária' e 'Interrupted Dreamer' continua! E para esse mês de janeiro, traremos a dica da série do momento: You.



Como acredito que a maioria de vocês já conhece, vou apenas repassar a sinopse: Joe, um garoto bem estranho se apaixona perdidamente por Beck. Até então, ok. O grande problema disso é que Joe é um stalker profissional e assustador. 





O público vem recebendo a série de uma maneira geral bem positiva e já temos a confirmação de mais uma temporada, porém não são apenas elogios que venho colocar na minha crítica, confesso para vocês que eu não achei a série tão incrível assim

Chegando a ser um pouco cansativa pelo roteiro cheio de narrativa, os episódios apresentam cenas à beira ao absurdo. Beck em momento algum desconfia ou vê um estranho observando pela janela? É tão fácil assim Joe se safar de tantos assassinatos? Até porque, parques públicos geralmente tem câmeras, não? Acredito sim que a premissa seja um alerta para quem se expõe em redes sociais e tem seu valor, mas não me venha dizer que ela é surpreendente, porque eu adivinhei o final logo na primeira aparição dos protagonistas. Ok, acho que seria surpreendente se o final NÃO fosse aquele, pois senti que perdi meu tempo com tanta enrolação para chegar ao destino já esperado.

Claro que essa minha indignação não pára por aqui, eu estou na dúvida se o final realmente é o correto, até porque não há cenas explícitas para dar credibilidade a justificativa. Então há esperanças! rs 


Ponto alto da série? A presença do garotinho Paco, as referências literárias e a atuação de Penn Badgley. Isso tanto é verdade que existem pessoas romantizando o personagem Joe e confesso que isso me assusta MUITO. Outro destaque que preciso fazer é sobre a Beck (Elizabeth Lail), como vemos a personagem pela perspectiva de Joe não dá para ter a certeza de que tudo o que nos foi apresentado é correto. Joe tem uma visão distorcida da realidade e isso pode impactar sim na construção dos personagens secundários.

A obra é uma adaptação literária e podemos ter melhores opiniões com a leitura do livro que foi publicado pela Editora Rocco aqui no Brasil. Eu, por não estar tão animada, não vou arriscar e ficarei apenas com a série da Netflix mesmo.


Como um todo, 'You' funciona, é um alerta, traz discussões relevantes, é meio impossível parar assistir de tanta coisa errada que você enxerga ali, só que não é essa coca cola toda como dizem. Acredito que foi um alerta para estarmos mais atentos a nossa volta e até mesmo lembrar que psicopatas, sociopatas e relacionamentos abusivos existem, nem sempre vai ser com o seu vizinho, pode ser com você sim.

Minha Classificação: ♥ ♥ ♥ (3/5)

- Alessandra Salvia

domingo, 13 de janeiro de 2019

Livro: Menina Boa, Menina Má

Olá amores,


Vamos falar de um thriller psicológico? Pois é, estou começando a me aventurar na temática e eu escolhi como iniciação o famoso: "Menina Boa, Menina Má" da Ali Land publicado pela Editora Record no ano passado.


Na obra, conheceremos Annie, a filha de uma assassina em série que após denunciar a própria mãe, vai morar em um lar temporário e muda de nome, tornando-se Milly. O grande problema é que Milly tem muito medo de ser igual a mãe, será que ela também tem genes de psicopatia?

Logo de início eu tive uma teoria que se concretizou e talvez por isso esse livro não seja um dos meus favoritos, mas mantenho a obra como um excelente thriller, pois sua construção foi muito bem executada e a forma como Milly é desenvolvida me dá arrepios. Cada vez que Annie é mencionada, o leitor recebe um "cutucão", sabe? É para angustiar, para mostrar que a mãe está ali, mesmo não de corpo presente por estar presa, porém ela se faz presente pela mente conturbada da filha. 


Durante toda a leitura, vemos o quanto a criação pode afetar uma criança. Por mais que a protagonista tenha 15 anos, ela consegue ouvir a mãe conversando com ela e sabe exatamente o que é esperado dela. O ritmo pode ser mais lento de início, mas é fundamental para encontrarmos o tom certo de Milly. É com esse começo devagar que começamos a nos envolver e descobrir tudo o que a garota passou nos anos em que viveu com a mãe.

Talvez o que eu tenha mais gostado em "Menina Boa, Menina Má" seja o fato da autora não ter dado uma abordagem violenta, sanguinária ou detalhista. A narrativa já é em primeira pessoa, o que facilita para o leitor 'enxergar' toda a crueldade dos personagens, mas acima de tudo é a perspectiva de uma garota que não se encaixa no mundo. Faltaram alguns detalhes do caso em si? Faltaram, o foco maior foi no caso do Daniel sendo que haviam outras crianças mortas, só que é como Milly via a história e em momento algum relembrar é agradável. Há sofrimento. Há culpa. Há medo.

Sobre a edição, eu nem tenho o que falar: páginas amareladas, fonte confortável, divisão de texto muito bem feita e a capa... Que CAPA! Perfeita demais, um acerto enorme manter a capa estrangeira. E o mais legal de tudo é que: não precisa de continuação! \o/ O livro é único e fechado. Alguns podem não gostar muito do final, mas eu achei sensacional e super coerente.


Desta forma,"Menina Boa, Menina Má" nos entrega uma excelente história sobre família, traumas, perdão e que nem tudo é o que parece ser. De certa maneira fui surpreendida, pois não estou acostumada com a temática, mas foi um livro super envolvente, então vou me arriscar mais no gênero.

Minha Classificação: ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ (5/5) - Maravilhoso!

- Alessandra Salvia

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Texto: Love of my Life

Olá amores,


Como estão? Hoje, daremos início a nova coluna de textos autorais aqui no blog que será toda sexta-feira. Conto com vocês para deixarem seus comentários, dicas e até mesmo indicações sobre temáticas. E para começar, trouxe um texto bem pessoal sobre o quanto uma determinada música mexe comigo. Vamos lá?


Fecho os olhos e me transporto para outra época. Me vejo criança novamente. Aquela franja loirinha grudada na testa pelo calor e um vestido florido bem rodado. Observo meu pai sentado a mesa de jantar com a cabeça abaixada. Os cotovelos apoiados na madeira da mesa e o aparelho de som tocando o tão amado rock n'roll num dos volumes mais altos possíveis.

A voz de Freddie Mercury se mistura a voz do meu pai que não parece afinada, mas que encontra o ritmo perfeito. Foi assim que aprendi o que ele considerava música boa de verdade. Foi assim que entendi que uma música boa pode ser mais que uma música boa, pode ser um elo familiar, pode ser uma declaração de amor, pode ser um momento de reflexão e também uma doce lembrança.

Hoje, mais de 20 anos depois, é impossível ouvir Queen e não lembrar do meu pai apreciando aquele pequeno instante de paz. Será que ele sabia que mesmo após a sua morte eu me lembraria dessa cena? Será que meu pai sabia que esse momento ficaria marcado na minha memória para sempre?

Com muita dor no coração, digo que não lembro mais da voz do meu pai. Não lembro do som de sua risada ou de como passei os últimos dias ao seu lado. Só me lembro da ausência, da saudade e da música do Queen tocando ao fundo. A imagem de um sorriso insiste em aparecer na minha mente, talvez por lembrança de uma fotografia ou talvez porque ele esteja realmente sorrindo, feliz por eu saber o que é a tal 'música boa de verdade'. Não sei, mas torço para que seja esta última opção. Torço para meu pai ter orgulho de quem me tornei e torço para que onde ele estiver saiba que nunca ouço essa música sem o seu amado sorriso na mente...


- Alessandra Salvia

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Livro: Livie & Téo

Olá amores,


Ano passado, eu tive contato com a escrita da Thays M. de Lima e foi uma surpresa tão agradável que vou trazer todos os outros livros dela para o blog, que tal? Hoje, teremos a resenha de "Livie & Téo" publicado na Amazon


Aqui, conheceremos Téo, o melhor amigo de Livie que nutre pela garota um amor platônico e após um grave acidente, a amizade de ambos se torna algo mais delicado... Livie superará grandes traumas para poder assim ter seu feliz para sempre? 

*Suspiros*

Eu nem sei por onde começar. "Livie & Téo" foi uma obra rapidinha de se ler, mas tão tão tão intensa. É mais que uma história de amor, é uma lição de vida. Os personagens são meigos, doces, carinhosos e demonstram a todo momento o que é amor verdadeiro. 

Mesmo com a diferença de classes sociais, vemos a beleza da aceitação, a beleza da amizade e da disponibilidade de estar presente quando necessário. Téo, principalmente, tornou-se um dos personagens mais amáveis que eu já 'conheci'. Ele abre mão dos seus sentimentos para ver Livie ser feliz, mas também sabe a hora de marcar presença e defendê-la. Um verdadeiro Superman para a garota! Quem não gostaria de ter um melhor amigo assim?


A carga dramática da história é muito bem construída e ouso dizer necessária. Acho que em pouquíssimas obras vemos algo assim e fiquei emocionada pelo cuidado que a Thays teve ao retratar as cenas mais 'reflexivas de Livie'. Ou até mesmo nas cenas de 'conflito', pois aquele sentimento de confusão e de superação nos atinge em cheio. É impossível ler e não se apaixonar!!! 

Abaixo, vou deixar o link de compra e espero de todo o coração que vocês conheçam melhor não apenas "Livie & Téo", como todas as obras da Thays, afinal, sua escrita é deliciosa e super envolvente!

Link para Compra na Amazon: AQUI.

Minha Classificação: ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ (5/5) - Maravilhoso!

- Alessandra Salvia